[ No Prelo ] O EXTREMO DESORIENTE
A história da fronteira subterrânea que existe entre o continente asiático e o subcontinente indiano deve ser contada em tempos geológicos. A Índia, que há 225 milhões de anos era uma grande ilha separada da Ásia, foi se deslocando para o norte e, finalmente, há 40 milhões de anos, colidiu contra a Eurásia. O impacto entre essas duas placas tectônicas criou a cordilheira do Himalaia e elevou o planalto tibetano a mais de 4000 m de altura. Em 1994, as universidades de Cornell, Siracusa, Stanford, Columbia e Pequim levaram a cabo uma investigação geofísica no Tibet (INDEPTH II)2 que conseguiu produzir um registro visual dessa fronteira subterrânea. Yitzhak Makovsky, um dos responsáveis pela investigação, convidou Pablo Baler para participar desse projeto como bitaculista3. Makovsky havia conhecido Baler em Palo Alto no começo dos anos noventa. […]
LOLA FANGUNA, Canberra, 2020
Na última conversa que tive com Pablo Baler em Marrakech, ele me disse que, como tantos outros escritores, também queria escrever sua própria interpretação livre das aventuras de Dom Quixote… Seu romance picaresco, bucólico e cavalheiresco. Não tenho provas para sustentar essa hipótese, mas quanto mais leio, mais me convenço de que ele se referia a bitácula da felicidade: aqui está Dulcineia, Sancho, os moinhos de vento, o sábio Frestão, o conflito entre perspectivas, a realidade turva, os mágicos, encantadores e feiticeiros. Aqui está o Quixote de Baler.
KARL BÖRZLIN – Crítico de arte e executor literário
Ao escrever sua vida, cada página deve conter algo que ninguém nunca ouviu, disse Elias Canetti. O EXTREMO DESORIENTE (bitácula da felicidade) é, sem dúvida, a jornada da vida de Pablo Baler e, como convém a toda vida, está repleta de outras jornadas: a jornada de sua obra, a jornada de suas dúvidas metafísicas, a jornada de seus personagens e, sobretudo, está repleta de histórias que ninguém jamais ouviu. São as histórias paradoxais do estrangeiro que luta para superar tal condição, enquanto busca uma revelação (talvez A Revelação) na alteridade. Realidade e ilusão, beleza e feiura, interior e exterior são, na construção de Pablo, todas as estações de fronteiras difusas, ou heterotopias que nos acompanham, felizmente com considerável humor, nesta jornada pela enciclopédia da ignorância que é a existência.
ALICIA MIHAI GAZCUE – Artista uruguaia radicada em Bucareste
– – –
Romancista de origem judaico-ucraniana, Pablo Baler é conhecido por sua trilogia profana: Circa, Argentum e Delirium Tremens, bem como pela farsa pornográfica messiânica Chabrancán e pela comédia pessimista Gilroy’s Gloryhole. Entre suas coletâneas de contos, destacam-se La burocracia mandarina e La marmota olímpica (histórias infantis para adultos). Com a antologia The Next Thing: Art in the Twenty-First Century, Baler inaugurou o gênero da “ficção estética”, ao qual também pertencem seus ensaios Los sentidos de la distorción e Maxima inmoralia: ética e imaginación. Como fundador da Bestiología, uma disciplina sui generis que combina epistemologia com zoofilia, Baler é o editor de Filozoofía, a antologia maldita que, por instruções expressas, não virá a lume antes de 2035. Seus artigos completos foram reunidos em Down Town Galápagos. Este livro, O EXTREMO DESORIENTE (bitácula da felicidade), reconstrói o diário de sua viagem alucinógena ao Butão em 1994 com a geóloga filipina Lola Fanguna. O manuscrito foi encontrado entre os papéis de Baler em Marrakech em 2017.
Título: O EXTREMO DESORIENTE
Autora: Pablo Baler
Tradução: Lucas Zaparolli de Agustini
22x22cm, 80 págs.
Ano de edição: 2024
R$ – – –
ISBN: 978-65-89846-66-6
![[ No Prelo ] O EXTREMO DESORIENTE](https://lummeeditor.com/site/wp-content/uploads/2026/03/9786589846666.png)