NA RAIZ SEMINAL DA MANHÃ

É tudo noite Na Raiz Seminal da Manhã
Qual o sentido de uma palavra? Ou, ainda, quais os sentidos de um conjunto de imagens que nos traz um poeta a partir de determinada combinação de palavras? Mais do que esta questão, que nos impõe uma reflexão extensa e profunda, cabe entender, no presente caso, qual o sentido expresso no título deste livro. O título, enquanto porta de entrada para um conjunto de poemas.
O emergir do livro Na Raiz Seminal da Manhã é, ao contrário, a culminância do acontecimento do livro cravado sobre o signo da noite. Noite, esta imagem ou anti-imagem que, por cerca de cinquenta vezes, se sobrepõe à tessitura deste conjunto de poemas.
E falar sobre esta imagem, sobre esta escrita, é falar sobre uma poética da experiência – ou do poema-testemunho. Este lugar de fala que não nos dá morada, mas nos transporta à singularidade do “infamiliar”, nos coloca frente a uma “experiência inexperienciada”, na expressão de Jacques Derrida.
Neste caso, o fim, o nascer do dia, é o ponto de partida que nos coloca o poeta diante de sua escritura. Uma poética que não encontra o cotidiano – que se precipita nesse não lugar, ou lugar indefinido, que habita a subjetividade do poeta. Por isso, a mística ocupa um campo semântico tão singular na escritura do livro, articulando uma experiência que não cabe à existência comum.
O enunciado de abertura, logo no primeiro poema do livro, “Meus olhos interpenetrados pela respiração escura da noite” reforça a tese sobre esse locus narrado pelo autor e sua condição de testemunha, como o retornado, aquele que à luz do dia narra a singularidade da experiência, desse não lugar simbolizado pela noite.
Mas o que é esse retorno? E qual a experiência narrada? Como se distingue a poesia da questão da verdade inerente ao testemunho? No caso de JRD, a poética é, talvez, o único suporte para uma espécie de intraduzibilidade do subjetivo. Mais do que articular imagens e ritmos, há uma busca por esse lugar semântico da noite. Uma poesia que não pretende pôr à luz – “Temo que revelar seja um termo inadequado. Revelar, tirar o véu, expor diretamente à visão”, como diz Blanchot –, e sim construir a experiência por meio do testemunho poético.
Em resumo: é tudo noite neste livro de poemas de JRD, e mesmo quando se acredita ver a luz e racionalizar objetivamente entre os versos o poeta declara que se trata de espectros, imagens enganosas: “Dentro de meu peito a manhã ainda é noite e a luz é apenas metáfora”. Bruno Prado Lopes

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R$33,10

Autor: JOÃO RICARDO DIAS
Origem: NACIONAL
Editora: LUMME EDITOR
Edição: 1
Ano: 2019
Idioma: PORTUGUÊS
País de Produção: BRASIL
Altura: 22,00 cm
Largura: 22,00 cm
Peso 0,100 kg
Nº de Páginas: 116

Informação adicional

Peso 0.100 kg
Dimensões 1.0 × 22 × 22 cm